Trânsito de caminhões afeta vida de moradores em cidades que são rotas alternativas após ponte desabar entre TO e MA


Moradores e caminhoneiros que passam por Axixá, São Miguel, Sítio Novo e Tocantinópolis reclamam dos problemas causados pelo aumento do movimento. Governo Federal diz que fez contratação emergencial para a manutenção das vias. Rotas alternativas após queda da ponte JK são precárias; saiba mais
Pouco mais de três meses depois do desabamento da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, que ligava os municípios de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), as rodovias que viraram rotas alternativas estão sofrendo com o grande trânsito de veículos, principalmente os pesados. Na vias o asfalto cedeu em menos de um mês. Com isso, diversos municípios do Tocantins foram afetados.
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Uma das rodovias impactadas é a TO-134, que corta Axixá do Tocantins, o trecho passa por dentro da cidade e afeta o dia a dia dos moradores. A prefeitura até decretou a proibição de passagem de veículos pesados em duas ruas, mas atualmente é possível ver os estragos que surgiram com o fluxo.
Um problema que se tornou recorrente são os buracos na pavimentação do trecho que fica no centro da cidade. Com o intenso movimento, o asfalto se deteriorou e foram feitos pelo menos três ajustes com pedras e cascalho, mas ainda existem problemas na via.
A dona de casa Nilva Pereira da Silva, que mora na rodovia, contou como ficou a vida depois que a cidade virou rota alternativa após a queda da ponte, em 22 de dezembro de 2024.
“Muito perturbada [a vida]. A gente não tem sossego nem para dormir, nem para conversar. Se vai atender um telefone tem que sair para o fundo do quintal porque aqui não tem como, não ouve nada […] Os caminhões passam quebrando a calçada”, reclamou a moradora.
Questionado sobre as situações das rodovias no norte do Tocantins o do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) afirmou que desenvolve ações necessárias para minimizar os impactos aos usuários, inclusive nas rodovias estaduais, por meio de contratações emergenciais e licitações.
Nessa sexta-feira (28), o órgão informou que houve a contratação emergencial para recuperação de um trecho de 82,2 quilômetros na TO-134, do km 26,3 ao 73,3 (47 quilômetros), e na TO-201, do km 0 ao km 35,2. O início das manutenções será em junho de 2025 (veja nota na íntegra no fim da reportagem).
À noite, o acesso pela TO-134 se tornou ainda mais perigoso. Sem acostamento ou sinalização, os buracos complicam a passagem de motoristas pelo trecho. O agricultor Antônio Alves Duarte teme como vai ficar a via na época de seca.
“Está um poeirão. E quando for mês de julho, agosto, Qual a situação do cidadão que mora na nossa região?”, questionou, reclamando do que se tornou a rodovia estadual com o grande fluxo.
O comerciante Eurivaldo Alves fechou o comércio. As paredes do estabelecimento e da casa dele estão rachando e a calçada está toda quebrada. “Ela dava cerca de 70, 80 centímetros até o asfalto. Só que aí como os caminhões vão passando, foi prensando tudo aqui, foram jogando essas pedras e o transtorno é isso aí, 24 horas que não tem sossego”, lamentou.
Mas o problema também afeta os caminhoneiros, que tiveram que aumentar o tempo de rota para seguir viagem. “Tem gente que vem lá de Brasília, Rio de Janeiro está gastando em média três horas, duas horas, para atravessar isso aqui. Aquela ponte é muito importante para o Brasil”, comentou o caminhoneiro que passava por Axixá, Moacir Gomes Costa.
O que seria bom para o comércio, na verdade virou um pesadelo. No mercado do Claudinei dos Santos Silva, as vendas caíram. “Nossas vendas caíram de 20% a 30%, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro. Agora que a gente está recuperando pouco a pouco, que eles conseguiram desviar a rota”, explicou o comerciante.
Cidades e rodovias não estão aguentando o movimento de carretas no norte do Tocantins
TV Anhanguera/Reprodução
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Outras cidades
Rota alternativa gera mudanças no trânsito em Tocantinópolis após queda da ponte JK
Em Sítio Novo, o problema se repete. A rodovia por onde passam ambulâncias, ônibus e caminhões precisam trafegar bem devagar para escapar dos buracos. O trajeto até Imperatriz, no Maranhão, era feito em 40 minutos, hoje leva mais de duas horas.
A comerciante Beatriz Oliveira precisou passar pera via e reclamou da situação.”É muito complicado porque o asfalto não foi feito para ter esse suporte de carga todinho. E agora com esse fluxo todo deteriorou tudo”, disse.
Em São Miguel do Tocantins, que também se tornou rota alternativa após a queda da ponte na BR-226, o governo estado instalou uma barreira para pesar os caminhões com 3,5 mil quilos tem que subir na balança. Quem estiver irregular recebe multa.
As condições do trecho e as medidas de fiscalização não estão agradando os caminhoneiros. “Sofrimento ‘brabo’. É só buraco, buraco, ponte caindo, arriscado o cara morrer. Aí chega uma hora dessa e pega uma balança ainda”, reclamou o caminhoneiro José de Oliveira.
Destruição mesmo com decreto
Tocantinópolis também é outra cidade afetada pelo fluxo intenso desviado da ponte JK. Em janeiro deste ano, o prefeito Fabion Gomes (PL) proibiu a circulação de veículos com mais de 25 toneladas nas vias urbanas. A medida foi tomada justamente para evitar que as vias públicas ficassem deterioradas. Mas três meses após o decreto, a situação é a mesma das outras cidades do extremo-norte do estado.
Em uma das ruas da cidade, o peso dos caminhões chegou a estourar canos de esgoto, causando a exposição na via.
Em entrevista à TV Anhanguera, o prefeito informou que voltou atrás da decisão e que buscou apoio do Governo do Estado, do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e de políticos para recuperar as ruas danificadas posteriormente, para não afetar a população.
“Os caminhoneiros não têm culpa, os empresários não têm culpa, o povo não tem culpa. Hoje a culpa toda é do Governo Federal e ele tem que acelerar a construção da ponte para evitar esses problemas. E nós vamos tentar recuperar da melhor maneira possível”, afirmou Fabion, que ressaltou que uma das ruas que sofre com o movimento de veículos pesados tem mais de 180 anos.
Rota alternativa gera mudanças no trânsito em Tocantinópolis após queda da ponte JK
Relembre a tragédia
O vão da ponte caiu no dia 22 de dezembro de 2024, por volta das 14h50. A estrutura liga as cidades de Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA). Um vereador de Aguiarnópolis que denunciava a situação precária da estrutura flagrou o momento.
Duas caminhonetes, um carro, três motos e quatro caminhões passavam pelo local na hora e caíram dentro do rio. Três desses caminhões carregavam ácido sulfúrico e agrotóxicos. Uma pessoa sobreviveu, 14 morreram e três ainda estão desaparecidas.
Para que a nova ponte seja construída, as partes remanescentes da Juscelino Kubitschek tiveram que ser implodidas. A operação aconteceu na tarde do último domingo (2) e durou menos de 15 segundos. As estruturas receberam 250 kg de explosivos.
As máquinas trabalham no local para que uma nova ponte seja construída até o fim deste ano, segundo o DNIT.
Queda ponte
Reprodução/TV Globo
Íntegra da nota do DNIT
O DNIT informa que após o desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226/TO, a autarquia desenvolve ações necessárias para minimizar os impactos aos usuários, inclusive nas rodovias estaduais, por meio de contratações emergenciais e licitações.
Para a execução dos serviços nos pontos mais críticos, foi assinado, nessa sexta-feira (28), o contrato emergencial para recuperação funcional sem manutenção de um trecho de 82,2 quilômetros na TO-134, do km 26,3 ao 73,3 (47 quilômetros), e na TO-201, do km 0 ao km 35,2 (35,2 quilômetros).
Os investimentos previstos para recuperação e manutenção das rodovias estaduais impactadas são de aproximadamente R$ 150 milhões. O valor inclui as emergenciais citadas e as licitações que têm como previsão o início dos serviços em junho de 2025.
As licitações envolvem os serviços de manutenção em 330,6 quilômetros nos seguintes trechos: TO-126, do km 107,7 ao km 135,3, extensão de 27,6 quilômetros; TO-134: km 26,3 ao km 73,3 e km 105,3 ao km 175,1, extensão de 116,8 quilômetros; TO-222: km 0 ao km 109,8, extensão de 109,8 quilômetros; TO: 201: km 0 ao km 35,2, extensão de 35,2 quilômetros; TO-210: km 0 ao km 12,3, extensão de 12,3 quilômetros; TO-415: km 15,4 ao km 44,3, extensão de 28,9 quilômetros.
O DNIT também atuou na contratação de balsas, que já estão em operação 24 horas por dia, ligando Aguiarnópolis (TO) e Estreito(MA).
O Departamento salienta que também estão em andamento as ações necessárias para as contratações das intervenções de recuperação das rodovias estaduais impactadas no estado do Maranhão.
Moradores reclamam da pavimentação deteriorada
TV Anhanguera/Reprodução
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