Juiz suspeito de usar identidade falsa tem salário suspenso durante investigação

Juiz Edward Wickfield. Foto: Reprodução/TV Globo.

O recente caso envolvendo o juiz aposentado Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, que na verdade se chama José Eduardo Franco dos Reis, trouxe à tona uma trama complexa de identidade falsa e fraude. A revelação do caso ocorreu em 2025, após investigações que começaram a desmoronar a farsa em 2024. Este artigo explora os detalhes desse intrigante caso que chamou a atenção do público e das autoridades.

José Eduardo Franco dos Reis, nascido em 1958, criou uma identidade fictícia de Wickfield, alegando ser de nobreza britânica. Com essa identidade, ele estudou direito e ingressou na magistratura paulista em 1995, onde atuou por 23 anos até se aposentar em 2018. A motivação por trás da criação dessa identidade permanece desconhecida, mas o caso levanta questões sobre a segurança dos sistemas de identificação e as brechas que podem ser exploradas.

Como a farsa do juiz foi descoberta?

O desmoronamento da farsa começou quando Reis tentou obter uma nova via do RG em nome de Wickfield no Poupatempo Sé, em São Paulo. As impressões digitais coletadas foram comparadas eletronicamente com o banco de dados da Polícia Civil, revelando que duas pessoas tinham marcas idênticas. Isso levou os investigadores a analisar os documentos de ambas as identidades, descobrindo que eram, na verdade, a mesma pessoa.

As certidões de nascimento de Reis e de Wickfield tinham o mesmo número de registro, mas com dados diferentes. Essa descoberta foi crucial para desvendar a duplicidade de identidade. O sistema do Poupatempo bloqueou automaticamente a emissão do novo RG, e Reis foi instruído a comparecer ao Instituto de Identificação para regularizar a situação.

Qual foi a reação das autoridades?

O Tribunal de Justiça de São Paulo, ao tomar conhecimento do caso, suspendeu administrativamente os pagamentos ao juiz Wickfield. A decisão foi tomada pelo presidente da Corte, Fernando Antonio Torres Garcia, enquanto o caso aguarda apreciação no âmbito jurisdicional. O processo tramita em segredo de justiça, e o tribunal não pode se pronunciar sobre os efeitos de uma eventual condenação.

Durante o depoimento à polícia, Reis afirmou que Wickfield era seu irmão gêmeo, dado para adoção ainda criança. Segundo ele, Wickfield cresceu na Inglaterra e veio ao Brasil para uma temporada, durante a qual Reis teria solicitado um RG para ele. Essa versão, no entanto, não convenceu as autoridades, que continuaram a investigação.

Implicações do caso do juiz

O caso de José Eduardo Franco dos Reis levanta importantes questões sobre a segurança dos sistemas de identificação e a facilidade com que uma identidade falsa pode ser criada e mantida por décadas. A descoberta da fraude só foi possível graças ao avanço tecnológico na comparação de impressões digitais, implementado em 2014.

Além disso, o caso destaca a importância de mecanismos de verificação mais rigorosos para evitar fraudes semelhantes no futuro. As autoridades continuam a investigar o paradeiro de Reis, que permanece desconhecido, e as implicações legais de suas ações ainda estão sendo avaliadas.

Em suma, o caso do juiz com identidade falsa é um lembrete de que, mesmo em sistemas avançados, há sempre espaço para melhorias na segurança e na detecção de fraudes. A história de Reis e Wickfield serve como um alerta para a necessidade de vigilância contínua e inovação tecnológica no combate a crimes de identidade.

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