Lula confirma Alexandre Padilha como novo ministro da Saúde

A ministra da Saúde, Nísia Trindade, comunicou há pouco para sua equipe a saída do governo. A decisão do seu desligamento foi informada pelo presidente Lula, numa reunião realizada no início da tarde. Os rumores de troca no comando do ministério ganharam corpo em fevereiro, depois das eleições da presidência da Câmara e do Senado. Desde então, é dada como certa a chegada do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, para o posto até agora ocupado por Nísia.

A expectativa é de que Padilha faça algumas alterações no ministério. O JOTA apurou, por exemplo, haver possibilidade de troca no comando da Secretaria de Vigilância da Saúde e Ambiente, posto atualmente ocupado por Ethel Maciel. Alguns nomes, contudo, devem permanecer. É o caso do secretário de Atenção Especializada, Adriano Massuda e do secretário de Atenção Primária à Saúde, Felipe Proenço. Ambos devem continuar no ministério, mas em postos distintos. Massuda é cotado para ocupar a secretaria executiva. As definições, no entanto, somente serão detalhadas nos próximos dias. A formação original do Ministério da Saúde, contudo, já traz nomes muito próximos de Padilha. E há perspectiva de que parte deles continue no ministério.

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Padilha foi ministro da Saúde no governo de Dilma Rousseff e, sob sua responsabilidade, dois programas de marca ganharam projeção. O primeiro deles é o Aqui Tem Farmácia Popular, uma iniciativa que trouxe uma nova dimensão para o Farmácia Popular, que até então se desenvolvia apenas em unidades próprias. A extensão do programa, feita com cadastramento de farmácias, tornou a iniciativa como uma das mais bem avaliadas pela população, incluindo a classe média. Também sob a gestão de Padilha foi desenvolvido o Mais Médicos, programa para provimento de profissionais em áreas carentes. Polêmico, sobretudo entre associações de classes médicas, o programa também foi muito bem avaliado pela população.

A troca no Ministério da Saúde é vista como uma solução para acomodar Alexandre Padilha, que tinha como certa sua saída da SRI, na reforma ministerial. A alteração acomoda tanto interesses do ministro quanto do governo. Saúde é uma área essencial para um governo que precisa garantir popularidade. A percepção é a de que, com números de aprovação em queda, a chegada de um nome que reúne carisma e habilidade política pode ajudar a projetar ações que já estavam em curso mas não tinham a visibilidade desejada.

Para Padilha, a mudança também pode render bons frutos. O posto de ministro de uma área com a qual ele tem familiaridade é essencial para que ele possa consolidar e ampliar sua popularidade e capital político para as eleições de 2026.

Segundo pessoas próximas, Nísia pediu exoneração do cargo antes mesmo da conversa com Lula e do evento de anúncio da produção nacional da vacina contra a dengue, realizado na manhã desta terça-feira. A conversa resultou, inclusive, no cancelamento de um discurso do presidente preparado para o lançamento. O futuro de Nísia ainda é incerto, mas há a expectativa de que ela seja indicada a uma vaga no exterior, possivelmente junto à Organização Mundial da Saúde. Ela tem uma relação próxima com o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom.

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Socióloga, Nísia foi a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra da história do país. Antes de chegar ao ministério, foi por duas vezes presidente da Fundação Oswaldo Cruz. Com a eleição de Lula, Nísia foi convidada para participar do governo de transição. A escolha da socióloga para assumir o ministério foi considerada, na época, uma sugestão de Alexandre Padilha. A ideia que circulava no período era a de que, caso encontrasse dificuldades no comando da SRI, Padilha poderia reivindicar o cargo ocupado por Nísia.

Desde o início da sua gestão, Nísia enfrentou a cobiça de parlamentares do Centrão, que sempre consideraram o posto essencial para garantir a capilaridade e atender a pedidos, sobretudo de prefeitos e deputados. Nos primeiros meses de gestão, Nísia foi criticada por não receber parlamentares e, ainda, por não dar destino rápido para recursos de emendas.
Desde as primeiras investidas, Nísia recebeu apoio público de Lula. A situação, contudo, foi se deteriorando, sobretudo a partir do fim do ano passado, quando problemas ligados à compra e à distribuição de vacinas foram identificados. A melhora nos índices vacinais e um bom desempenho neste setor eram considerados essenciais pelo governo.

Nísia também foi criticada — para muitos, de forma injusta — pela condução da epidemia de dengue. Há a percepção de que responsabilidade deve sempre ser partilhada com gestores estaduais e municipais. Contudo, na prática, o que se vê sempre é a responsabilização de quem está à frente do Ministério da Saúde. Também pesou de forma desfavorável a lentidão na condução do Mais Acesso a Especialistas, programa considerado prioritário por Lula.

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