Lula demite Nísia após fritura constrangedora e agora busca mais visibilidade para a Saúde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demitiu a ministra da Saúde, Nísia Trindade, nesta terça-feira (25). Para o lugar dela, vai o atual ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.
A mudança ocorre após um período de desgaste interno e busca por mais visibilidade para a pasta da Saúde, que, segundo o presidente, poderia ter desempenhado um papel mais protagonista no governo, principalmente como contraponto às políticas de saúde do governo anterior de Jair Bolsonaro.
O Palácio do Planalto já vinha dando sinais de insatisfação com o desempenho de Nísia Trindade à frente da Saúde. Lula considerava que a pasta estava com resultados abaixo do esperado e que poderia ganhar mais protagonismo nas ações do governo, especialmente em contraponto ao discurso negacionista de Bolsonaro.
Esse sentimento de insatisfação era comentado nos bastidores e até entre integrantes do próprio governo. A “fritura” de Nísia vinha se tornando cada vez mais evidente.
Na tentativa de melhorar a imagem da pasta e demonstrar resultados concretos, a Saúde anunciou recentemente a ampliação do programa Farmácia Popular, incluindo novos medicamentos e itens distribuídos gratuitamente.
Mais cedo teve em evento no Palácio do Planalto, com a presença de Nísia Trindade ao lado do presidente Lula. A ministra estava visivelmente desconfortável durante a cerimônia, o que reforçou os rumores de que sua demissão já estava a caminho.
A fritura de Nísia Trindade já era sentida há algum tempo, e até mesmo “as capivaras do Alvorada” sabiam da insatisfação de Lula. A forma como o presidente conduziu o processo de desgaste gerou desconforto não apenas dentro da própria pasta, mas também dentro do governo como um todo. A situação lembra episódios passados, como a demissão de Cristovam Buarque do Ministério da Educação, no primeiro governo Lula, feita por telefone e também marcada pelo clima de desconforto.
A troca no Ministério da Saúde acontece em um momento de ajustes na articulação política do governo. A busca por mais visibilidade e protagonismo na Saúde coincide com a necessidade de fortalecer a base governista no Congresso. Uma das possibilidades discutidas nos bastidores é a entrada de um nome ligado ao Centrão para a pasta, algo que poderia melhorar a relação do governo com o bloco parlamentar.
A troca na Saúde se soma a outras mudanças pontuais no governo, que buscam dar mais dinamismo e fortalecer a base governista em um momento crucial de debates sobre o Orçamento de 2025 e outras pautas importantes no Congresso Nacional. Lula considera a Saúde uma área estratégica, não só para promover ações importantes para a população, mas também para fazer um contraponto direto às políticas de saúde defendidas pelo governo Bolsonaro, que foram marcadas pelo negacionismo e pela desinformação durante a pandemia.
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