Sinal de estabilidade da desaprovação de Lula persiste, mas reversão ainda é incerta

Os dados do agregador de pesquisas do JOTA sobre como os eleitores avaliam o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontavam, na segunda semana de março, estabilização na tendência de aprovação e desaprovação do governo, após o pior momento registrado em fevereiro. Historicamente, o primeiro trimestre é desfavorável para os mandatários, enquanto o segundo trimestre tende a mostrar recuperação. Nesta semana, duas novas pesquisas de opinião trouxeram cenários contraditórios que pouco alteram os dados do agregador, embora atestem que a desaprovação ao governo Lula persiste e que a recuperação ainda é incerta.

O levantamento Genial/Quaest (56% de desaprovação e 41% de aprovação) aponta um aumento na desaprovação entre o final de janeiro e o final de março. Por outro lado, o levantamento da Bloomberg/Atlas mostra estabilidade, com 53,6% de desaprovação e 44,9% de aprovação.

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Quando se comparam os números atuais da Quaest com a pesquisa de janeiro, a desaprovação subiu de 49% para 56%, enquanto a aprovação caiu de 47% para 41%. À primeira vista, isso pode parecer uma grande piora. No entanto, ao observar os números do agregador, a história é menos dramática: as variações em relação a março foram pequenas, quando o consenso já indicava 54% x 41%. O que dizem os novos dados?

Ao integrar esses novos dados ao modelo, a tendência de estabilização na popularidade permanece, mas agora com menor confiança. Isso fica mais evidente ao observar o gráfico: a linha tracejada representa os valores projetados diariamente, enquanto a linha contínua indica a média móvel de 14 dias.

Apesar de uma tendência de estabilidade nos números se manter válida, o sinal de reverter o quadro de desaprovação – a tão esperada recuperação do governo – ainda não aparece no horizonte para as primeiras semanas deste segundo trimestre.

Nosso modelo aponta que a queda está desacelerando, caracterizando o cenário como uma recuperação lenta. Além disso, diversos testes econométricos mostram uma tendência estacionária (sinal de estabilização), incluindo o teste Dickey-Fuller, que reforça a leitura de que as oscilações atuais não configuram uma mudança significativa no padrão observado.

Em outras palavras, a falta de um movimento claro de deterioração ou recuperação da popularidade em março reforça a interpretação de que o cenário continua cauteloso, sem indícios concretos de reversão no curto prazo.
Na comparação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, as projeções para o mês de abril indicam que o saldo de aprovação de Lula ainda é mais favorável do que o de Bolsonaro no mesmo período. Atualmente, Lula acumula um déficit de aprovação de 16 pontos, enquanto o ex-presidente registrava um saldo negativo de 24 pontos a cerca de 550 dias da eleição.

Ainda assim, é importante ressaltar que o agregador projeta aprovação de Lula inferior a 40% no mês de abril. As implicações? Quando essa taxa de aprovação é convertida em probabilidade de reeleição, o nosso modelo indica que, se as eleições fossem realizadas neste período, a chance de vitória de Lula estaria abaixo de 50%.

Esse cenário reflete uma situação política desafiadora, com o Planalto enfrentando um quadro de desgaste persistente. A trajetória de aprovação deve ser acompanhada de perto nos próximos meses, pois variações nesse índice terão impacto direto tanto na viabilidade de reeleição de Lula quanto na consolidação dos nomes dos desafiantes, daqui a um ano.

Nesse contexto, a percepção pública atual sobre o governo Lula já impõe desafios políticos, impactando diretamente a formação de alianças e dando força a adversários que ganham tração no cenário eleitoral futuro.

Confira os gráficos de aprovação e avaliação do governo do agregador, atualizados nesta manhã para uma análise completa dos números e tendências.

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