Marinho atribui queda da criação de empregos à alta na taxa de juros

O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Luiz Marinho, atribuiu a queda de 20% na geração de empregos em janeiro à alta na Taxa Selic pelo Banco Central (BC) que se iniciou em dezembro.

Questionado pelo JOTA, Marinho salientou que o aumento dos juros freia investimentos e “estrangula” o orçamento do governo, além de inibir o crescimento da economia em 2025. O ministro defendeu controlar a inflação através da oferta, produzindo mais, em vez de aumentar juros que, por consequência, diminui a capacidade de consumo da população. Como fazer isso, porém, ele não explicou.

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O Brasil criou 137.303 postos de trabalho em janeiro de 2025, 20% menor do que em janeiro do ano passado. O resultado, porém, veio acima das expectativas dos agentes de mercado, que nas últimas semanas variaram de 50 mil a 100 mil vagas. E indica que o desaquecimento da economia é menos intenso do que o setor financeiro entende como necessário para derrubar a inflação.

Marinho acusou o mercado de apostar contra o Brasil e sinalizou que essa alta indicada pelo BC foi para “atender as ânsias do mercado”. Segundo ele, há uma crença no governo de que a economia brasileira continuará crescendo, apesar do aumento de juros realizado pelo BC.

Ele criticou o que considera falta um alinhamento entre os estímulos do governo via crédito na economia e a política monetária do BC. A harmonização defendida pelo ministro vai em direção oposta ao que o BC tem defendido, que é de reduzir estímulos para baixar a inflação.

Saque-aniversário do FGTS

Ao esclarecer sobre a medida provisória, que será publicada nesta sexta-feira (28/2), Marinho explicou que o pagamento do saldo retido do FGTS se dará em parcelas. O montante de R$ 12 bilhões será pago no dia 6 de março para quem possui até R$ 3 mil. Para quem tem um saldo maior do que este valor, receberá o pagamento 110 dias depois, em julho. Estima-se que do valor total, metade, ou seja, em torno de R$ 6 bilhões, já seja injetado na economia neste primeiro momento, o que dilui um pouco a contradição com o momento de alta da inflação nesse momento.

Ao ser questionado sobre o fim da modalidade, pleito do ministro desde o início do governo, Marinho admitiu que não há um ambiente para levar a proposta adiante e indicou o Congresso como principal impedimento. “Hoje o presidente da Câmara foi o relator deste projeto no Congresso durante o governo anterior”, disse.

Consignado privado

O ministro afirmou que a medida provisória que vai ampliar o crédito consignado privado será publicada na semana após o Carnaval. A medida é uma das apostas do governo para baratear o crédito e ampliar a renda das famílias, sobretudo em 2026.

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