Como aplicar inteligência artificial em Legal Marketing

Que atire a primeira pedra a empresa que nunca vivenciou um verdadeiro ringue em que as áreas jurídica e de marketing se enfrentam quase que diariamente em busca do melhor equilíbrio entre a regulação e cautela, para atingir o seu público-alvo da forma mais certeira possível e sem correr riscos de infringência da legislação e regulamentação aplicáveis.

Como a maior parte das lutas, em que no final os lutadores se abraçam solidariamente, com a certeza de que entregaram tudo de si para o melhor resultado do embate, certamente é sempre esse o objetivo das áreas de marketing e jurídico em busca do melhor resultado para a empresa.

A novidade agora é que em tempos de inteligência artificial generativa (GenAI) a tão sonhada paz pode estar mais perto do que nunca. 

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Em meio a tantas possibilidades de aplicação das ferramentas da IA no dia a dia das empresas muitas se destacam pela capacidade de criação de imagens e vídeos, sendo que atualmente algumas campanhas publicitárias já têm até mesmo dispensado atores reais, substituindo-os por IA e reduzindo drasticamente os custos envolvidos com a produção.

Veja-se o exemplo real abaixo em que uma ferramenta IA cria uma imagem a partir de um modelo de prompt bastante simplificado:

E se as ferramentas de IA se destacam pela capacidade de criação, o que dirá então da habilidade de identificação, reconhecimento e interpretação de imagens e vídeos.

No exemplo real a seguir, vejamos a interpretação da ferramenta de IA para a imagem acima criada por ela mesma.

Como se vê, a descrição da imagem é bastante detalhada abrangendo aspectos de extrema importância para a sua interpretação, na medida em que identifica que se trata de uma bebida energética e que reforça a ideia de um anúncio para um produto que promete energia e bem-estar, transmitindo uma mensagem de vitalidade e estilo de vida ativo.

Partindo desse exemplo prático, a pergunta que se faz é, seria possível utilizar ferramentas de IA para a revisão básica de peças publicitárias? E a pronta resposta é: sim!

Como no exemplo acima, se a ferramenta de IA foi capaz de identificar aspectos intrínsecos e extrínsecos da imagem, descrevendo detalhadamente as características e até mesmo a sua finalidade, incluindo a identificação da palavra quase não aparente da lata de bebida energética, por que não aplicar a mesma habilidade para ler todo o texto de um anúncio, interpretando o contexto da imagem e identificando potenciais riscos ou violações à legislação e regulamentação aplicável?

Para tal finalidade, naturalmente seria necessário um esforço maior para a definição de um prompt adequado, assim como a alimentação da ferramenta de IA com todo o conteúdo da legislação e regulamentação, políticas, decisões e tudo mais que for aplicável à análise da peça de marketing com a finalidade de apontar e mitigar potenciais riscos.

Mas para além de analisar peças de marketing com base na legislação aplicável, fornecendo o resultado descritivo dessa análise, apontando potenciais riscos, certamente a ferramenta de IA poderá ir além, fornecendo recomendações concretas de ajustes para melhor aperfeiçoamento da peça de marketing de acordo com a regulamentação vigente.

Claro que tal avanço por si só já representa um ganho significativo para a área jurídica das empresas, na medida em que permitirá uma análise mais rápida das peças de marketing, além de abranger aspectos aplicáveis não somente do ponto de vista de publicidade e propaganda, mas também regulatório.

Mas como isso muda o jogo na relação entre o marketing e o jurídico? 

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Certamente um dos principais pontos de divergência entre as duas áreas é o tempo que se leva para analisar, aprovar ou ajustar, a muitas vezes elevada demanda de peças publicitárias, impactando o tempo de lançamento de campanhas que na ponta poderá gerar até mesmo prejuízos financeiros à empresa.

Outro aspecto fundamental na mudança da relação entre as duas áreas é a redução no nível de ruídos e desgastes desnecessários com questões básicas que por regra deveriam ser observadas pelas peças de marketing, mas que por vezes acabam sendo levantadas apenas pela área jurídica.

Por fim, a despersonificação ao menos de um primeiro nível de análise, contribuirá significativamente para a preservação do relacionamento entre as áreas, na medida em que somente os aspectos efetivamente relevantes e estratégicos deverão ser objeto de revisão pela área jurídica.

Nesse sentido, seria possível até mesmo vislumbrar esse primeiro nível de análise realizada por uma ferramenta de IA ainda na área de marketing, ou até mesmo pela própria agência de publicidade; a fim de que as campanhas já cheguem à área jurídica muito mais aperfeiçoada e ajustada, para uma revisão final, aí sim, com um olhar muito mais voltado para os aspectos profundos e sensíveis que somente a revisão humana é capaz de capturar.

Um tema que certamente vem à tona nessa hipótese é a questão de segurança das ferramentas de IA e o risco de vazamento de campanhas estratégicas e confidenciais, o que ainda é uma realidade em vista do contexto incipiente onde praticamente todos os dias surgem novas ferramentas e LLMs de diferentes origens e formatos, mas por certo tal questão poderá ser superada pela adoção de ferramentas já testadas e utilizadas pela área de tecnologia das empresas, em uma instância totalmente segregada e isolada de outras operações, como é caso muitas vezes da utilização do Copilot da Microsoft ou Gemini do Google, no ambiente próprio das empresas.

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Vale ressaltar também que, a mesma análise aplicável a imagens se aplica também a vídeos, e além disso seria possível ainda considerar automações e integrações com outras ferramentas já adotadas pelas áreas jurídica ou de marketing, a fim de que esteja inserida em um eventual workflow de aprovação, armazenando o histórico das informações e outras funcionalidades.

Como já destacado acima, ainda que a ferramenta de IA seja um poderoso aliado na melhoria na relação entre as áreas de marketing e jurídico das empresas, atuando em uma primeira camada mais básica de análise, jamais substituirá a sensibilidade capturada somente pelo olhar humano.

Por fim, muito além do benefício gerado pela maior fluidez na relação entre as áreas jurídica e de marketing, benefício ainda maior será o impacto positivo no resultado das empresas com campanhas publicitárias lançadas mais rapidamente, contribuindo assim para um aumento de receita e na outra ponta com um menor risco de exposição a disputas decorrentes de potenciais violações à legislação.

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