No BRICS, Lula manda recados para os EUA, ao falar de caos, imprevisibilidade e OMS

Sob o escrutínio da imprensa internacional, o presidente Lula aproveitou a sessão de encerramento da primeira reunião de sherpas do BRICS sob o comando do Brasil, para dar recados diretos aos EUA de Donald Trump e conclamar às nações que reajam com mais, e não menos, multilateralismo.

Seguem alguns destaques na lista de seis prioridades da presidência brasileira até a cúpula de líderes que ocorre no Rio em 6 e 7 de julho:

Multilateralismo. “O recurso ao unilateralismo solapa a ordem internacional”, disse. “Quem aposta no caos e na imprevisibilidade, se afasta dos compromissos coletivos que a humanidade precisa urgentemente assumir”, completou. Lula destacou ainda que negociações com base na lei do mais forte são atalho perigoso para a estabilidade e guerras. “Frente à polarização e à  ameaça de fragmentação, a defesa consistente do multilateralismo é o único caminho que se deve trilhar”, afirmou o presidente, ao avisar que quer ver resultados concretos nesta edição do BRICS.

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Saúde. Lula destacou que uma das prioridades da presidência brasileira do BRICS que é a de lançar parceria para a eliminação de doenças socialmente determinadas e doenças tropicais neglicenciadas. Disse que “ausência de acordo em torno do tratado sobre pandemias, mesmo após a Covid-19 e a pandemia do Mpox atesta a falta de coesão da comunidade internacional diante de graves ameaças”. Bateu na retirada dos EUA da OMS, ao enfatizar que “sabotar os trabalhos da OMS é um erro com sérias consequências”.

Protecionismo. “A atual escalada protecionista na área de comércio e investimentos reforça a importância de medidas que busquem superar os entraves à nossa integração econômica”.

Instrumentos financeiros. Aumentar as opções de pagamento é reduzir custos e vulnerabilidades.

Clima. Lula disse ainda que a omissão custa caro e não poupará ninguém, lembrando que, na última década, inundações, secas e incêndios custaram à economia global mais de US$ 2 trilhões. “O acordo de Paris e todo o regime do clima estão sob ameaça”, afirmou.

IA. “Não pode se tornar monopólico de poucos países e poucas empresas. Grandes corporações não têm o direito de silenciar e desestabilizar nações inteiras com desinformação. Segundo ele, o BRICS tem que tomar para si a tarefa de recolocar o Estado no centro dos debates para a construção da governança justa e equitativa sob o amparo das Nações Unidas. Tampouco pode permitir, prosseguiu, “que a distribuição desigual desta tecnologia deixe o sul global à margem”.

Lula sabe que parte do Ocidente vê o BRICS em sua nova formação de 11 sócios com desconfiança, e pretende evitar aprofundar essa desconfiança durante a presidência brasileira. Quer aproveitar o palco do BRICS para seguir a linha adotada pelo Brasil no G20, de olho na COP30. Ele mencionou o cenário geopolítico tumultuado, falou das guerras na Ucrânia e em Gaza, mas concentrou-se em questões de consenso voltadas a dar respostas às urgências globais e necessidades dos emergentes do chamado Sul Global.

Resta saber até onde isso será possível num grupo que reúne atores tão distintos entre si.

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